30 dezembro 2009

O Pedido de 2009

2009 recebeu a notícia de que tem apenas mais um dia de vida e ao invés de desesperar-se alegrou-se! Reviu em pensamento todas as coisas pelas quais passou durante sua curta vida de apenas 365 dias, alegrou-se com as coisas ruins pois com elas adquiriu valoroso aprendizado, felicitou-se pelas coisas felizes pois foram elas que o fizeram superar obstáculos.
Reviu como flashes nos olhos os amigos que fez, os que já tinha e os que ainda poderá fazer antes de chegar ao fim.

Releu as palavras escritas, as rasuradas e reescritas, reviu os filmes, ouviu de novo as músicas.
Enfim... experimentou por mais uma vez todos as sensações e os sentimentos que passaram diante de si, e com os olhos marejados em ondas de reveillon sorriu para o nascimento de seu irmão, o ANO NOVO... mas antes de partir fez um pedido a todos nós:

Não fiquem tristes com o meu fim, pois feliz fui eu por ter vivido intensamente ao lado de todos vocês, e espero que todos tenham sido felizes ao meu lado também!
Aos que sofreram, aos que choraram em algum momento da minha existência, peço que me perdoem, pois fiz tudo que esta ao meu alcance para que a felicidade chegasse até o coração de todos, até do mais esquecido ser na face da Terra durante toda a minha existência!
Quero que felicitem a chegada de meu irmão mais novo, seu nome é 2010, é um abençoado e terá uma existência abençoada pois com ele virá junto a emoção e as boas esperanças da nova década.
Saúdem o ano de 2010, pois eu, 2009, já estou partindo com o sorriso estampado em mim por completo, e a alma preenchida com as gargalhadas e as felicidades que todos vocês tiveram ou sentiram enquanto reinei absoluto!
Obrigado filhos queridos. Ora, muitos foram os que vieram a este mundo em algum dos meus 365 dias de vida, Tenho certeza que deixarei uma parte significativa de mim dentro de cada deste filhos meus.

Aos que morreram, não temam, estou indo para permanecer por todo o sempre ao de lado de vocês, mas deixarei também aos que vivem, aos que receberão meu irmão novo, uma parte signifitiva de mim na lembrança de cada um de vocês!

Aqui deixo o meu adeus!
FELIZ ANO NOVO!

ass: Dois mil e nove

23 dezembro 2009

Esperando

Quando nos encontramos em situações difíceis. Quando já tentamos de tudo para nos levantar costumamos ficar esperando algo diferente. Esperamos que aconteça algo que mude a situação. Uma porta, uma luz, uma janela, são apenas metáforas que significam um novo caminho para seguir.
O desespero leva ao fracasso, a esperança à vitória! Por quê esperar se podemos correr atrás? É simples. Por que queremos o mapa do caminho a se seguir. Não queremos descobrir por si próprio a trilha que devemos pegar, queremos sim, que asfaltem uma estrada no meio da mata dos problemas.
Os fracos são assim, os humanos são assim. Sempre mal acostumados, sempre mimados, sempre querendo a facilidade, sempre esperando um milagre, sempre, esperando.
Mas, e quando o milagre não vem? E quando uma nova luz, porta ou janela não aparece? Estagnados choramos, alimentamos culpas, frustrações, mágoas e continuamos esperando.
Deitamos na grama, acendemos um cigarro, nos perdemos em pensamentos e suposições e hipóteses. Uma tempestade de “e se?”. Ainda assim esperando.
É difícil tomar uma decisão, é árduo tomar uma atitude e manter-se nela. O ser humano se prende à traumas, bloqueios, timidez, vergonha. Sentimentos ruins que atacam sua auto-estima, minam sua força de vontade.
Muitos não aprenderam vencer um desafio, outros, assim como eu, simplesmente não conseguem. São eternos dependentes do fator sorte, se é que isso exista. Esperam que atitudes alheias os beneficiem.
São otimistas os esperançosos e pessimistas os desesperados. Como sofrem esses seres! Esperam agoniados a tal “luz no fim do túnel”, com a mesma intensidade que um réu espera sua condenação.
Conheço sua dor, sou um de vocês!
Estou aqui desesperado esperando que alguém ilumine o meu caminho, sempre esperando.

15 dezembro 2009

Você não entende [diálogo solto]


_ Oi professora.
_ Ah, olá Frederico.
_ Pode me chamar de Fred.
_ Então tá, Fred.
_ Que bom te encontrar de novo.
- Mas Fred, acabamos de nos ver no colégio...
_ Eu sei, mas para mim é sempre bom te ver de novo,
_ Não estou te entendendo...
_ Professora, a senhora é linda.
- Obrigada rapazinho.
- E eu te amo.
_ Oque é isso menino? Mais respeito comigo.
_ Professora, existe sentimento mais respeitoso do que o amor?
_ Fred, você é só uma criança e...
_ Crianças não amam, professora?
_ Claro que sim, mas...
_ Então professora, eu amo a senhora.
_ Imagina Fred, você não sabe oque é o amor, você é muito menino.
_ Me diz então professora, oque é o amor?
_ O amor é algo confuso, um sentimento que nos alegra e nos entristece ao mesmo tempo.
_ Então oque eu sinto é amor, quando eu te vejo eu me alegro com sua presença e fico triste com sua indiferença.
_ O amor, Frederico, é um sentimento que nos encoraja e nos amedronta.
_ Ora, eu a amo mesmo, pois tomei coragem de me declarar, temendo que me ignorasse.
_ O amor meu querido, nos ilumina e nos cega na mesma proporção.
_ Ah, agora eu sei, é amor, afinal seu olhar me ilumina ao mesmo tempo que sua luz me cega.
_ Mas Fred, o amor nos aquece e nos queima igualmente.
_ Professora, seu olhar aquece meu peito enquanto meu rosto queima e cora de timidez.
_ Não rapazinho! O amor é o sentimento mais puro que alguém pode possuir.
_ E existe algo mais puro do que uma criança?
- Não Frederico, não existe.
_ Então, eu te ofereço o sentimento mais puro, vindo do ser mais puro que existe. O amor.

A Dançarina [poema]

Com seu olhar torpe
Os músculos em rogatório
A alma em qualquer auditório
Os movimentos aturdidos, Os sonhos suprimidos
Desejos alheios atendidos.
Seus braços sobem, descem, giram rasgando o ar.
Lágrimas salificam seus lábios,
sorrisos salivados de outrem
provocados pelo sadismo aquém.
Olhos velhos e sábios
acompanham calados aquela dança
salivar a boca, não cansa.
Vossos lábios rachados desejam inebriados
tocar a pele branca,
ao redor do olhar rasgado.
Repuxado pela dor da saudade
um tecido azul ateado, pela escuridão bordado,
agora desnuda teu corpo suado
descendo-lhe pelo corpo, acariciando a pele láctea
cortando-lhe a honra, dignidade e orgulho,
perdem-se em um mergulho.
O azul que protegia, inanimado no chão jazia.
Seus movimentos lentos continuam incessantes.
Os olhos de seus carrascos, constantes
cada vez mais sedentos,
gritos urros preenchem o templo,
formando a duração do tempo
insuportável tormento.
É a cina da oriental dançarina.
Os movimentos torpores, para olhares torpes.
Velhos exalando luxúria, ela exalando involuntária volúpia.
Lutando um contra o outro
e mantendo-se num passado glorioso.
Eles num futuro quase incestuoso
assim seguem até a canção calar
por clamores e tambores, eram guerreiros
em busca do tesouro precioso que existiu naquela época,
a dançarina.

Direções [diálogo solto]

_ Para onde você está indo?
_ Estou indo para onde é meu lugar, que não importa onde seja, desde que seja longe de você.
_ Devo presumir que isto é um adeus?
_ Não sei, pode ser que seja, talvez seja apenas uma caminhada.
_ Então caminhemos juntos, lado a lado...
_ Lado a lado nós caminhamos por anos e à lugar nenhum chegamos. Quem sabe cada um seguindo uma direção diferente, não seja melhor para ambos?
_ Ou quem sabe se juntos tomássemos uma direção de cada vez? E juntos descobriríamos o destino certo, onde estaria a nossa felicidade?
_ Pode ser que tenha razão, porém, já fizemos isso antes e nada adiantou. Você sempre desviava e eu era era obrigado a desviar também, para assim trazê-lo de volta.
_ Oque você quer? Que eu peça perdão, me humilhe?!
_ Não, só quero e mereço ser feliz, quero que perceba que precisa perdoar a si próprio, quero que dose seu orgulho para que veja que assumir os erros cometidos não é tão humilhante assim.
_ Suas palavras mostram que você ainda nutre algo de bom por mim.
_ Você está certo, ainda o amo, ainda sinto, em meus sonhos, sua pele na minha, sinto seu cheiro e choro de saudade ao me lembrar de seu sorriso.
_ Não entendo. Se ainda me ama porquê então quer me deixar?
_ Justamente por isso que devo deixá-lo, para que aprenda por seus erros, a ser uma pessoa melhor, para que possa crescer e evoluir. Não aprendeu pelo amor, aprenderá pela dor.
_ Então você está me julgando, dando o veredicto e a sentença?
_ Não, não estou julgando nem sentenciando ninguém, estou apenas seguindo que manda meu coração.
_ Esta é a sua resposta definitiva?
_ Confesso que não. Estou indo, mas vou chorando por dentro, sofrendo pela culpa por ter falhado com você.
_ Ao menos o sentimento de culpa você pode dividir comigo, afinal, eu também sinto que falhei com você. Falhei ao tentar seguir a mesma direção, deixando para trás meus sonhos e minha individualidade para compartilhar com você o verdadeiro sentido da unidade.
_ Ao contrário do que esconde suas palavras, eu ainda o amo, não o deixarei de lado. De longe, minha mente e meu espírito ainda permanecerão com você.
_ Você ainda me ama?
_ Foi oque acabei de dizer, meu amor por ti não morreu, nunca vai morrer, só vai seguir uma nova direção.

Sou

Minha valentia de nada serviu perante ao meu pai, me senti do mesmo jeito de quando estive com outro rapaz pela primeira vez. Acuado, ansioso, submisso e menos homem.
Não dava mais para ocultar oque já era transparente e notório ao meu corpo e minha alma, nunca imaginei ou desejei ser assim, menos ainda que um dia me veria obrigado a compartilhar com meu progenitor a agonia e os desejos que queimavam minha carne. Pensei que teria forças para suprimir, ocultar minha condição, me enganei. Meus olhares furtivos e afoitos para os corpos semelhantes ao meu me denunciaram.
O clichê “enfiar a cabeça num buraco”, nunca foi tão real, meu sufocante pavor, também.
Não consegui encarar o olhar de cobrança de meu pai parado diante de mim. Podia perceber o coração de minha mãe pulsando desenfreado, como se prevê-se a desgraça sobre nossas cabeças, seu olhar era de aflição pura, proporcional a minha covardia.
Várias foram as possibilidades de reação de meu pai, era óbvio que nenhuma das que permeavam meus pesadelos, seria a ocorrida.
Busquei respostas em vários segmentos, religioso, medicinal, psíquico, espiritual, etc. Nada do que me diziam supria as minha questões, que a cada instante se multiplicavam em números infinitos.
Tentei até ser aquele homem viril que meu pai sempre sonhou, mas só consegui me sentir enojado e mais amuado do que antes.
A barreira criada entre mim, meu pai e minha sexualidade parecia mais e mais difícil de transpor. Eu não podia mais conter esse sentimento que, ás vezes, perdia o teor pecaminoso e sujo que muitos tinham o prazer de dar.
Eu não queria, nem almejava viver á margem da sociedade, o amor que eu nutri por meses por aquele rapaz não poderia ser minimizado a ponto de permanecer somente em mim e mais ninguém. Eu quero compartilhar com o mundo esse sentimento que lateja em meu peito.
Não tem mais como fugir, é um caminho sem volta. Meu pai está diante de mim agora, não consigo olhá-lo nos olhos, será assim mesmo, com meu olhar perdido em algum canto do mundo que revelarei a todos o que realmente sou.
Depois do baque, começo a sentir a dor no meu rosto, minha boca está sagrando, e dentro de mim há um sentimento morto, o amor que eu sentia por meu pai.

Vida


Hoje, o que esperar do amanhã?
Nos momentos mais difíceis essa pergunta nos vem à mente e nos deixa sem resposta. O que esperar da vida? Vida, palavrinha tão pequena mas de dimensões incomensuráveis.
Quando nos deparamos diante de sentimentos, fatos e situações incompreensíveis só a vida nos da a solução para superar. A vida nos traz o amor, mas também o leva, assim mesmo, simples como ondas do mar.
Muita gente se lamenta dizendo: oh, por que fui ter essa vida? A resposta, claro, está dentro de cada um. Há também aqueles que maledizem a que possuem. Vida desgraçada!
São tolos, afinal, a vida nos dá armas para defesa ou para o ataque, cabe a cada um de nós escolher se vai atacar ou simplesmente defender-se.
Certos são aqueles que ficam no meio termo. Serei mais claro. Certo são os que encontram um equilíbrio entre o ataque e a defesa, pois não há melhor maneira de seguir a vida.
A vida nos transforma em esponjas. Seres que absorvem tudo ao redor: informações; experiências; novos sentimentos, aprendizados; novas maneiras de amar e de odiar.
Certos estão aqueles que além de absorver, deixam-se ser absorvidos para que outros possuam a mesma bagagem. Aliás, tudo e uma troca, um aprendendo, crescendo e evoluindo com a vida do outro.
Saber o que é certo e errado só a vida nos ensina. Saber odiar e cultivar sentimentos que nos impede de absorver, isso a vida não ensina, pelo menos não a nossa vida, porque também há pessoas que só aprendem com a vida dos outros e pior, cuidando e vivendo a vida alheia, conseqüentemente, esquecendo-se da própria.
Aí está um momento de estagnação e dormência. Despertar desse sono pode, ás vezes, ser letal para nossa vida, que estará perdida, esquecida e dificilmente consegue-se encontrá-la ou ao menos, lembrar-se que se tem uma vida própria.
Há um momento em nossa vida encontra outra vida, e o milagre acontece: uma nova vida é criada. Pronta para se moldada segundo o livre-arbítrio.
Como suportar a vida? A resposta só a vida lhe dará.

08 dezembro 2009

Preste atenção



Em certos momentos de nossas vidas somos pegos de surpresa. Nos momentos mais aflitos, quando nosso peito dói demais e nossa alma chora. É quando algo nos chama atenção, uma música, uma imagem, um olhar, um abraço, uma presença, uma criança que chora no frio. Seja o que for, isso nos toca e nos desperta, é nesse momento que nossa dor diminui e nossas lágrimas cessam, e percebemos que fazemos parte de algo maravilhoso.
É quando sorrimos entre lágrimas, olhamos a nossa volta e vemos que a beleza gratuita existe, que o amor é sim indispensável e infinito, que os amigos são insubstituíveis e inestimáveis, que a família faz parte nós e, quão sofremos quando a ferimos.
Passamos então a admirar o céu e conseguimos ver um sol poderoso brilhando, mesmo em meio a tempestade e sorrimos.
Nos sentimos leves, felizes, filhos, criador e criatura. Abraçamos a nós mesmos com ternura e compaixão. Olhamos nos espelho e vemos alegria e cumplicidade com a nossa morada, nosso corpo.
Com os olhos marejados, olhar perdido no horizonte azul sem fim, sentimos uma força indestrutível, quase incontrolável, surge a vontade de correr o mundo, gritar alto para que o universo saiba da felicidade em plenitude.
Pequenas coisas, curtos momentos ou instantes que podem preencher nosso coração pela vida toda. Nossa longa caminhada com destino à unidade. Eu, você, ele, todos nós numa única freqüência.
Passamos a vida inteira presos a futilidades e convenções, e isso pode nos cegar ou quem sabe anular. Amargurados, cultivamos mágoas por até décadas sem fim.
Passamos a vida inteira tentando descobrir quem realmente somos e, morremos sendo aquilo que os outros gostariam que fossemos, sem personalidade ou individualidade, apenas uma cópia, um algarismo, um dígito simplesmente, só mais um.
Abra os olhos, preste atenção! Há algo maravilhoso lá fora esperando por você. Seja um e seja todos! Não se envergonhe dos seus erros. As lágrimas são pontes que cruzam abismos. Ouça, observe, sinta, fale, absorva, perceba.
Não se feche em uma redoma, abra a janela e deixe a luz entrar, invadir sua casa e sua pele. Faça parte do todo. Compartilhe.
Praticar auto-piedade pode até aliviar a dor, mas nunca será a solução do problema.
Não se esqueça, você nunca está sozinho, sempre haverá alguém que nos ame e nos queira bem independente de nossos defeitos e erros, é só prestar atenção.
Quanto mais tortuoso é o caminho, mais gratificante é a chegada. Ame-se, cuide-se, respeite-se, você é a sua morada, seu palácio e sua fortaleza. Use mais os olhos e sua percepção e nunca, nunca se esqueça que: há algo maravilhoso lá fora, é só prestar atenção.