15 dezembro 2009

A Dançarina [poema]

Com seu olhar torpe
Os músculos em rogatório
A alma em qualquer auditório
Os movimentos aturdidos, Os sonhos suprimidos
Desejos alheios atendidos.
Seus braços sobem, descem, giram rasgando o ar.
Lágrimas salificam seus lábios,
sorrisos salivados de outrem
provocados pelo sadismo aquém.
Olhos velhos e sábios
acompanham calados aquela dança
salivar a boca, não cansa.
Vossos lábios rachados desejam inebriados
tocar a pele branca,
ao redor do olhar rasgado.
Repuxado pela dor da saudade
um tecido azul ateado, pela escuridão bordado,
agora desnuda teu corpo suado
descendo-lhe pelo corpo, acariciando a pele láctea
cortando-lhe a honra, dignidade e orgulho,
perdem-se em um mergulho.
O azul que protegia, inanimado no chão jazia.
Seus movimentos lentos continuam incessantes.
Os olhos de seus carrascos, constantes
cada vez mais sedentos,
gritos urros preenchem o templo,
formando a duração do tempo
insuportável tormento.
É a cina da oriental dançarina.
Os movimentos torpores, para olhares torpes.
Velhos exalando luxúria, ela exalando involuntária volúpia.
Lutando um contra o outro
e mantendo-se num passado glorioso.
Eles num futuro quase incestuoso
assim seguem até a canção calar
por clamores e tambores, eram guerreiros
em busca do tesouro precioso que existiu naquela época,
a dançarina.

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