15 dezembro 2009

Sou

Minha valentia de nada serviu perante ao meu pai, me senti do mesmo jeito de quando estive com outro rapaz pela primeira vez. Acuado, ansioso, submisso e menos homem.
Não dava mais para ocultar oque já era transparente e notório ao meu corpo e minha alma, nunca imaginei ou desejei ser assim, menos ainda que um dia me veria obrigado a compartilhar com meu progenitor a agonia e os desejos que queimavam minha carne. Pensei que teria forças para suprimir, ocultar minha condição, me enganei. Meus olhares furtivos e afoitos para os corpos semelhantes ao meu me denunciaram.
O clichê “enfiar a cabeça num buraco”, nunca foi tão real, meu sufocante pavor, também.
Não consegui encarar o olhar de cobrança de meu pai parado diante de mim. Podia perceber o coração de minha mãe pulsando desenfreado, como se prevê-se a desgraça sobre nossas cabeças, seu olhar era de aflição pura, proporcional a minha covardia.
Várias foram as possibilidades de reação de meu pai, era óbvio que nenhuma das que permeavam meus pesadelos, seria a ocorrida.
Busquei respostas em vários segmentos, religioso, medicinal, psíquico, espiritual, etc. Nada do que me diziam supria as minha questões, que a cada instante se multiplicavam em números infinitos.
Tentei até ser aquele homem viril que meu pai sempre sonhou, mas só consegui me sentir enojado e mais amuado do que antes.
A barreira criada entre mim, meu pai e minha sexualidade parecia mais e mais difícil de transpor. Eu não podia mais conter esse sentimento que, ás vezes, perdia o teor pecaminoso e sujo que muitos tinham o prazer de dar.
Eu não queria, nem almejava viver á margem da sociedade, o amor que eu nutri por meses por aquele rapaz não poderia ser minimizado a ponto de permanecer somente em mim e mais ninguém. Eu quero compartilhar com o mundo esse sentimento que lateja em meu peito.
Não tem mais como fugir, é um caminho sem volta. Meu pai está diante de mim agora, não consigo olhá-lo nos olhos, será assim mesmo, com meu olhar perdido em algum canto do mundo que revelarei a todos o que realmente sou.
Depois do baque, começo a sentir a dor no meu rosto, minha boca está sagrando, e dentro de mim há um sentimento morto, o amor que eu sentia por meu pai.

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