30 dezembro 2010

Ter Esperança


Ter Esperança é abrir os olhos em um dia de sol e sorrir,
É caminhar descalço sobre a grama úmida e sentir,
É mergulhar nas águas claras do mar e sorrir,
É olhar-se no espelho e se amar,
É perder e ainda assim sorrir.

Ter esperança é chorar quando o que mais se quer é sorrir,
É caminhar sem destino certo para seguir,
É abrir os olhos quando o amor, finalmente, chegar,
É olhar a lua querendo ser uma estrela,
É agradecer por tudo que se tem quando na realidade, não se tem nada.
É contentar-se com a mera lembrança de que um dia amou e foi amado.

Ter esperança é entregar-se ao ideal que bem entender e confiar.,
É ser humilhado, traído, ferido e perdoar,
É defender aquilo que acredita,
É ver um pôr-do-sol e se emocionar,
É olhar para o lado antes de ferir.

Ter esperança é sentir-se iluminado mesmo quando estiver na mais completa escuridão,
É respirar fundo antes de conjurar qualquer ofensa,
É saber que não estamos sozinhos, muito menos abandonados,
É esperar que depois de uma noite chuvosa, pode vir uma manhã de sol,

Ter esperança é ter consciência que, mesmo na fraqueza, teremos força para lutar,
É proteger-se do mal que você mesmo pode causar,
É cair e sorrir,
É dar o braço quando só pedirem a mão,
É amar a quem nos odeia,
É ter consciência que existe um "sim" quando todos dizem "não",
e que existem um "não" quando todos dizem "sim".
É olhar para o céu desejando subir,
É entender a morte sabendo que existe a vida,
É começar do zero e sorrir,
É ganhar e dividir,
Ter esperança é voltar-se ao Criador e agradecer por Ele mesmo existir

27 dezembro 2010

O Novo


    Chega um dia em nossas vidas que tudo parece mudar e sentimos medo. O novo chega, assim sem ser convidado, desconhecido, como uma visita indesejada que teima em não ir embora.
    O novo é esperança e desespero, chega sempre quando a vida parece meio obstruída, sem saída, sem opções. Tememos sempre fazer a escolha errada, a decisão mal tomada é conseqüência arcada,
    É como força do destino, impossível fugir. às vezes o novo chega através de uma palavra de alguém que admiramos, às vezes vem de repente mesmo.
    Porém, o novo é sempre bem vindo, carregado de horizontes e oportunidades, alegrias e aprendizados e é claro, tentações.
    Deveríamos receber o novo como quem recebe a brisa numa tarde de verão, de braços abertos e olhos fechados, não há maneira melhor de senti-lo.
    O novo nos dá fôlego, nos dá força, nos revigora, nos dá luz em caminhos, muitas vezes, tão obscuros.
    Não tema o novo, recebe sorrindo e quando ele não vier busque-o em tudo que o cerca e o encontrará, lindo, esperando por você.
    Desfrutemos do novo como quem desfruta uma caminhada na areia da praia, como quem desfruta um bom livro, uma música, uma gargalhada solta.
    O novo é maravilhoso como o sol que entra pela janela ao amanhecer, nos aquece, ao corpo e a alma, nos traz felicidade.
    Inspire o novo como se inspirasse o oxigênio, ele é assim mesmo, toma conta dos nossos poros, invadindo nossas células e mente, fundamental para nos manter vivos.
    O novo é magnífico como a água que sacia nossa sede, lava nossa alma.
    O novo é belo, surpreendente e magnânimo.
    Para mim o novo chegou ontem, já não é mais tão novo e mesmo assim ainda me faz feliz, cheio de planos, idéias e sonhos.
    Alias, o novo é um sonho e talvez para alguns o único que, entre tantos outros, vai realmente se tornar realidade.
    O novo é sempre novidade, seja para os mais novos, seja para os mais velhos.
    O novo sempre vem, de novo.

26 dezembro 2010

Eu Quero é Viver


    Sinto repulsa pela sociedade e seus costumes. Homens de terno e gravata, mulheres de tailleur em tons pastéis e cores cítricas me causa náuseas. Seus filhinhos bonitinho, loirinhos, educadinhos, perfeitinhos... Que gente podre.
    Me deixem em paz com meu cigarro e minha bebida alcoólica aqui no meu quarto sujo, cheio de bitucas espalhadas pelo chão e copos quebrados. Eu sou assim, eu odeio a classe média.
    Pessoinhas felizinhas com suas opiniões pseudo-intelectualizadas. Adoro tragar depois de uma boa dose de vodka, pinga, uísque ou qualquer coisa com alto teor alcoólico seja lá qual for a hora do dia.
    Por que eu não posso falar de boca cheia? Eu quero fazer barulho quando tomar sopa, quero cuspir no chão, quero cutucar meu nariz, coçar minha cabeça, quero falar alto, quero chutar macumba.
    Danem-se os amantes do cinema mudo, eu gosto de expressão verbal, gosto de barulho. Gosto de sentar com as pernas abertas. E daí que a minha calcinha está aparecendo? E daí que meu sutião está velho? E daí que tem um furo na minha blusa?
    Quando e quem determinou o que é certo ou errado? Me deixem fumar meu cigarro, porra! Me dá mais uma dose. Quero beber até vomitar no seu tapete persa, depois suas empregadas limpam.
    Não quero saber de nada que seja moralizado, sou a favor do politicamente incorreto, do não ortodoxo. Do incômodo, do perturbador, do desconfortável. Sou mesmo do contra. E daí?
    Eu gosto mesmo é de xingar os mendigos, ofender as vagabundas, humilhar os riquinhos. Meu cigarro me conforta, adoro imaginar toda aquela fumaça tóxica entrando em meus pulmões e deteriorando o meu organismo, vai tudo para o buraco mesmo. Por que eu me importaria?
    Fiquem vocês com suas lesmas francesas, seus ovos de peixe podre, seus charutos fálicos, seu mundinho felizinho.
    Eu quero é viver, quero sentir a vida correndo na minha veia, quero me sentir viva. Quero feder, quero me machucar, cair, levantar, correr, andar, pular, subir e descer.
    Não quero meu cabelo liso, nem ondulado, nem cacheado, eu nem quero ter cabelo. Não preciso de cabelo para viver.
    Álias, para viver eu só preciso de vida, e para morrer também, então, o que eu quero é viver.

24 dezembro 2010

Ninguém


Ninguém além de mim mesmo, e somente EU, sabe como realmente me sinto.
Ninguém sabe a dor que eu carrego dos erros que cometi.
Ninguém sabe o quão doloroso é pra mim abrir um simples sorriso.
Ninguém sabe o ser humano triste e acanhado que me tornei
depois de tantos anos de agruras.
Niguém além de mim me conhece da maneira como realmente sou.
Triste, solitário, frio, amargurado, vivendo por viver, apenas um dia após o outro, e outro,
e outro e mais outro.

Culpa da redoma em que me enfiei e não encontro mais a saída,
arranho o vidro e só consigo sangrar meus dedos,
e as lágrimas de sangue e dor que escorrem dos meus olhos cansados.
Minha alma cansada, meu corpo saturado, minha vida estragada.

É tristeza demais pra uma única vida... Aaaaaaaaaaaah que vontade de gritar CARAAALHOOO, PUTA QUE PARIU, mandar tudo e todos para casa do caralho.

Odeio minha vida, odeio o ser humano que me tornei com o passar dos anos,
só ódio e amargura se passa pela minha mente e meu coração,
se é que posso chamar isso que tenho no peito de coração.
Para mim é apenas uma pedra que pulsa, pulsa, pulsa, mas queria que parasse.

19 dezembro 2010

O Passado


Meu passado! Será que todos os passados são tão obscuros quanto o meu? Isso eu nunca vou saber.
Me incomoda olhar para o meu passado, tão enegrecido, cheio de falhas, ilusões, dor e mágoa, muita mágoa.
Como acertar sem um dia falhar?
Como saber o que real, sem nunca ter vivido em ilusões?
Como saber o valor da felicidade, sem nunca ter sido triste?
Como perdoar sem nunca ter sido ofendido?
Percebe agora onde eu quero chegar?

Certo dia alguém me disse: Triste do homem que vive do passado.
Outro alguém me disse: Não se prenda ao que passou, pois se passou é porque era para ser passado, e se é passado é porque não era para ser presente.
Levei muito tempo para entender o significado do que me foi dito.
Use seu passado para aprender a viver o presente e preparar-se para o futuro.

Ainda me envergonho do meu passado.
Qual o ser não tem um segredo sujo do seu passado guardado à sete chaves?
Daqueles que não contamos nem à nossa própria sombra?
O passado nos persegue, não há como nem para onde fugir. Está impregnado em nós como fedor de esgoto.
Nos tortura, nos consome, no corrói.

Por muito tempo me debati tentando me livrar do que passou. Pura perda de tempo.
O segredo é desvendar a mensagem oculta incrustada no passado e aprender com ela.
Porém, não devemos esquecer que o passado nos reserva surpresas para o presente que no passado, era futuro.

Hoje, respeito meu passado, afinal, sem ele eu não seria a pessoa que me tornei no presente.
Agora, só falta saber quem eu me tornei.

Meus Sentimentos


    Quando caminhamos só tudo parece mais escuro e difícil. Todos os problemas parecem insolúveis. Todas as estradas parecem não levar à lugar algum. Nos sentimos frageís e subservientes, suscetíveis a angústias, mágoas e lágrimas.
    Até que certo dia nos surge alguém e esse alguém nos alegra e nos ilumina, nos conforta e nos desafia, e novamente nos torna frágeis e suscetíveis, desta vez por motivos melhores: o amor e a saudade.
    Muitas pessoas se perguntam em que momento começamos a amar, ninguém sabe ao certo. Eu acho que começamos a amar quando sentimos que a vida seria desperdício se não estivéssemos lado a lado, juntos realmente de certa pessoa; quando passamos a pensar por dois e para os dois; quando de repente, assim por acaso sentimos que existe a possibilidade da distância e da solidão. E principalmente quando vemos quem amamos afundado em pensamentos distantes, perdido e angustiado, desesperado e com medo. É nesta hora que passamos a ver quão imenso é o sentimos que nutrimos, que pode até ser chamado de "amor".
    Mediante a tudo isso descrito, eu sei que amo. Sofro quando você sofre, me alegro quando você sorri e choro quando você está distante, levado por sombras e fantasmas de um passado, coisas com as quais eu não posso e nem consigo lutar contra.
    Glória e felicidade maior seria se eu libertá-lo, ou ao menos, aliviasse seus temores afastando seus fantasmas.
    Prometi ser merecedor de sua confiança para que um dia você possa dividir comigo tudo aquilo que o perturba e te persegue. Apenas uma certeza me toma preenchendo as lacunas do passado, a certeza que eu te amo, você acreditando ou não.
    Sinta-se amado, afinal, não há benção maior. Apenas imploro, por mais difícil que seja, acredite, confie no meu sentimento. Ele é imutável.
    Por mais que outros tenham te ferido, magoado ou enganado, livre-se dos traumas e medos do passado. Creia que meu amor, carinho e dedicação por você são repletos e cobertos de sinceridade.
    Quando transpassei meus pensamentos e sentimentos para este papel, você estava tão tomado pelo medo, angústia e escuridão e até mesmo lágrimas que eu temia por tudo. Espero com toda fé, que as palavras que lhe dedico possam, de alguma maneira, surtir efeito e que você consiga sorrir.
   Seu sorriso, junto ao brilho dos seus olhos, iluminarão nossa caminhada que tem sido tão árdua.
   O sentimento que lateja dentro de mim eu transformei em três palavras: EU TE AMO!
   Acredite e confie!

08 dezembro 2010

Minha Rainha!


Minha rainha, eu não te odeio. Raiva não é o sentimento que permeia meu peito agora, seria insuficiente e infundado. Digo que, à partir daquele exato momento quando tudo se desvendou diante de meus olhos como um véu que é tirado, o único sentimento que se sobressaltou foi de tristeza. Uma tristeza profunda, rispida, seca, cortante e marcante por um longo tempo.

Minha fé, minha dedicação e meu amor por você e por tudo que pudesse fazer parte de seu Universo sempre foram reais e palpáveis, e principalmente inquestionáveis. Achei realmente que tudo o que me foi imposto foi desnecessário e até que eu consiga enxerga, ou que me seja mostrado que eu estava errado, vou continuar mantendo minha opinião.

Não existe palavra neste mundo, seja lá em que língua for que possa descrever o amor e a felicidade que eu sentia nos momentos em que estava próximo a mim. Sempre aberto a você e às suas solicitações, imposições  e decisões, mas desta vez foi demais. O baque foi forte demais e sofro calado, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, segundo por segundo essa tristeza me atormenta e me corrói as vísceras.

Hoje, perante ao céu, ao inferno e diante de todas as ésferas dimensionais possíveis e existentes no Universo, eu afirmo que meu único sentimento é de tristeza. Rogo à quem quer que seja para que me mostre que eu estou errado, que me dê çforça para superar mais esta abrupta ruptura de laços carnais, espirituais e dimensonais. Estou aqui, só esperando, só, só e tão somente só e sozinho.

Porém, de uma coisa, minha Rainha, não se deve duvidar. Que é do meu amor por ti!

07 setembro 2010

Disparo


Juntos eramos um.
Separados somos nenhum.
Como manteiga e pão.
Arroz com feijão.
Alma e coração.
O hoje é como o ontem.
Carícia gelada.
Se perturbados fossem cairiam em desgraça.
Nação de homens inaptos.
Que se degolam por puro hábito.
A alma regurgita,
agita e habita o lugar que evita.
Espíritos têm lhe dito,
algo que o deixa aflito.
Eu vomito.
Tu tens o interior mais inferior que o superior já conjurou.
Tu és a mentira que partilha da minha ira que habita nesta ilha.
Ao norte encontro a sorte da morte.
Ao sul encontro o vazio d azul.
Ao leste encontro a veste da peste.
O vai e vem do trem é para quem faz jus ao pus do cactos.
Uma bala na vala da sala cata a gata e mata.
Galopante adiante segue elegante o semblante ante ao desplante.
Avante o itinerante desinteressante
com barbante fere seu amante.
De antemão, a multidão em perdição.
No coração um vão necessário para dar vazão
A uma ação de amplidão
cerzida pela mão.
No carro te amarro e te agarro.
Dentro entro no centro,
no meio do seio alheio.
Fora agora, é hora de ir embora.
Em seu corpo caro, um tiro eu disparo.

31 agosto 2010

Daygo & Takae

Na inocência da infância, Daygo e Takae tornaram-se grandes amigos. O fato de serem vizinhos facilitou a aproximação, seus pais viram a amizade dos meninos com alegria, eram filhos únicos e um fazia companhia ao outro. Brigavam pelos brinquedos às vezes, mas logo faziam as pazes.
Os anos passavam e a amizade deles só se fortalecia, viviam rindo e se abraçando, às vezes Takae beijava o rosto de Daygo que sorria desconcertado. Não foram poucas as ocasiões que tomaram banhos juntos, isso não causava estranheza em seus pais e para os meninos era o momento mais divertido do dia.

Em um desses banhos, enquanto jogavam água um no outro que Takae perguntou:
_ Daygo, você me ama?
_ Hein?!
Essa não era a resposta que Takae esperava.
_ Fala se você me ama.
_ Por quê? - questionou Daygo sem entender nada.
_ Porque eu te amo.
Com seus quase 13 anos, Daygo sentiu algo estranho, diferente, gostoso. Era sua primeira ereção. Takae percebeu e sem saber muito bem oque estava fazendo, levou a mão até a virilha do amigo e começou a mexer bem devagar. Sentiu que eram bom e viu que o seu ficou igual, ereto, fez então Daygo “brincar” também com ele.
Os dois descobriram que era gostoso e até bem prazeroso. Foram surpreendidos pela mãe de Takae batendo na porta. Gelaram na hora. Algo dizia que seus pais não aprovariam essa nova “brincadeira”.
Dia seguinte Daygo e Takae não conseguiam esquecer a nova descoberta, a brincadeira mais legal que já tiveram.
_ Takae? Porque está quieto hoje? - perguntou a mãe. - Você não vai brincar com o Daygo hoje?
_ Depois mãe, depois... - respondeu ele com olhar disperso.
_ Vocês brigaram? - perguntou a mãe preocupada.
_ Não, mãe. - Takae sabia que sua relação com Daygo seria diferente, sabia que seria especial.

Passaram meses, anos e as brincadeiras foram se tornando cada vez mais frequentes e mais intensas, ganhando assim outro nome: sexo.

Quando Takae soube que o amigo iria servir o exército ficou incomodado, angustiado. As sensações aumentaram ao saber que Daygo quis assim, ele queria servir a pátria. Essa afirmação soou como bobagem ao ar. Para Takae, Daygo queria mesmo é “brincar” com outros caras, e mesmo com a negativa do amigo, não conseguia acreditar. Nascia aí o ciúme.
Seis meses depois de entrar no exército, Daygo foi visitar Takae, este percebeu que o amigo estava diferente, não olhava mais nos olhos.
_ Oque aconteceu, Daygo?
_ “Brinquei com outro”.
Takae se perguntava oque e por que seu peito doía tanto? Por que seus olhos teimavam em lacrimejar? Por que sentia seu rosto queimar e a cabeça doer? Foi tomado por incessantes dúvidas.
_ Mas por que, Daygo?
_ Não sei. - silêncio em lágrimas. – Acordei um dia com vontade de brincar, mas você não estava por perto. - de novo silêncio em lágrimas.
_ Toda vez que eu estiver ausente, você vai brincar com outro?
_ Não sei, Takae, eu acho que não.
Takae pensou por um tempo.
_ Daygo, eu te perdôo. - disse Takae quase involuntariamente.
_ Takae, você me ama?
_ Por quê, Daygo?
_ Porque eu te amo.

30 agosto 2010

Você é Feliz?


_ Moço, você é feliz?
_ Como assim?
_ Como “como assim”? Ou se é feliz ou não é.
_ Bem, eu acho que sim.
_ Acha? Quer dizer que não tem certeza?
_ Não estou entendendo onde você que chegar.
_ Qual seu nome?
_ Cícero.
_ Muito prazer, sou Bianca. Agora veja bem, eu fiz uma simples pergunta, se você é feliz e você não soube responder.
_ Espere aí, você me pegou de surpresa, garota.
_ Em primeiro lugar, não sou mais uma garota, em segundo, a felicidade sempre nos pega de surpresa.
_ É você me pegou nessa.
_ Sim eu sei, além disso ela nos deixa confuso.
_ Como assim?
_ Lá vem você com esse “como assim”. É simples, foi só eu falar em felicidade que você se embananou todinho.
_ Eu já falei que você me pegou de surpresa.
_ Sobre isso nós já conversamos. Veja minha mãe, por exemplo, ela acha que é feliz por ter um marido e uma filha, uma família em si. Só que o marido dela tem uma amante, e é um pai relapso; a filha está fugindo de casa porquê é apaixonada pelo batateiro.
_ Pelo batateiro?!
_ É, batateiro sim, qual o problema?
_ Não, nenhum...
_ Ótimo, agora eu te pergunto: Minha mãe é feliz?
_ Claro que não!
_ Por que não? Se ela tem tudo que uma mulher de classe média sonhou ter?
_ Oras, você já deu a resposta para esta pergunta. Seu pai é infiel e relapso,
e você está indo embora de casa.
_ Sim, concordo mas independente disso, a casa é harmonia pura. Ela faz de conta que a amante não existe, que a filha é apenas uma pré-adolescente e que o sentimento pelo batateiro não passa de pirraça para chamar atenção. Bem assim, cada um na sua.
_ É vendo por esse ângulo...
_ Está vendo? Te deixei ainda mais confuso, aliás eu não, a felicidade.
_Ah, é mesmo? E você menina, é feliz?
_ Eu sou.
_ Como? Você está fugindo de casa?
_ Você ainda não entendeu. O que é felicidade para um, pode não ser para outro. Não existe felicidade universal. O que é ser feliz para mim, pode não ser pra você. O ser humano ainda não chegou ao nível de compartilhar sua própria felicidade. Sou feliz porque estou fugindo da harmonia e do marasmo, a maioria associa a felicidade ao ócio total e absoluto, a famosa “sombra e água fresca”, nem querem saber de onde vem a sombra, ou quem, vai trazer a água. Felicidade, moço, é o desafio, é a busca por algo que te completa, claro que sempre nos falta um pedaço e sempre nos faltará. Felicidade é isso, a busca por algo que nunca encontraremos: a verdadeira felicidade.
_ Não sei o que dizer.
_ Que tal um tchau? Aí vem meu ônibus.

Perda [ diálogo solto ]

_ Bia.
_ Oque foi Felipe?
_ Cadê a mamãe?
_ Foi embora.
_ Por que?
_ Não sei.
_ Ela não gostava da gente?
_ Gostava sim.
_ O papai mandou ela embora?
_ Não.
_ Por que ele chora tanto?
_ É saudade dela...
_ Então, ele deveria ir atrás dela e trazê-la de volta.
_ Um dia ele vai atrás dela, mas não pode trazer a mamãe de volta.
_ Mas porque não, Bia?
_ O papai não sabe onde ela está.
_ E você, sabe?
_ Não, eu não sei.
_ Quem que sabe?
_ Ninguém sabe.
_ Só Deus sabe.
_ Então vamos perguntar pra ele.
_ Não adianta, Ele não responde.
_ Deus não gosta da gente.
_ Talvez não.
_ Mas oque eu fiz pra ele não gostar de mim?
_ Nada, Felipe, não precisa fazer algo para que Deus tome oque amamos.
_ Então Deus é mal?
_ Não sei te dizer nem que sim, nem que não.
_ Sempre achei que Ele fosse bom.
_ Às vezes é, outras, parece que não.
_ Como assim?
_ Os adultos dizem que são coisas da vida.
_ Que coisas são essas?
_ Não sei, ninguém vivo sabe.
_ Os mortos sabem?
_ Talvez.
_ Eu tenho medo dos mortos, Bia.
_ Você tem medo da mamãe?
_ Não, eu não.
_ Ela morreu, Felipe.
_ É diferente.
_ Oque é diferente?
_ A nossa mãe oras.
_ Não entendi.
_ A mamãe é uma morta especial, ela me ama.
_ Isso é verdade.
_ Papai também vai morrer?
_ Vai.
_ E você e eu?
_ Demora?
_ Pode ser que sim, pode ser não. Porquê?
_ Tô com saudade da mamãe.
_ Eu também Felipe, eu também.

Meu Nome

Quem é você?

Eu não te conheço mais.

Olha para mim!

Até o meu toque você tem evitado.

Por vezes tem me ignorado.

Por quê choras?

Seria culpa?

Vergonha?

Fala comigo!

Não entendo, passamos por situações tão adversas.

Eu te ajudei, você me ajudou, então,

por qual motivo você não se dirige mais à mim?

Deixe-me beijar, nem que seja levemente,

a maçã do seu rosto.

Você bem sabe que este seu comportamento

não te levará à lugar algum.

Me dê sua mão, deixe-me aperta-la.

Deixe-me te dar-te forças para superar suas vicissitudes.

Permita que eu seque suas lágrimas.

Deixe-me ver se ainda há humanidade em sua alma.

Não quer falar comigo?

Não tem problema,

eu leio seu olhar.

Quanta dor e quanta mágoa reside em seu espírito.

Seu erro maior foi pensar que amor deveria ser único,

exclusivamente voltado à você.

Por quê tanto egoísmo?

Tanto meu Pai, quanto minha mãe olharam por você,

que poderia ter tudo se assim seu coração desejasse.

Nem mesmo meu nome você se lembra mais.

Não tem problema,

estou aqui para lembrar-te.

Ouça bem e não esqueça jamais

meu nome é

Jesus Cristo de Nazaré.

Irmãos

Olho para o lado e meu irmão eu vejo.

Ingênuo, maldoso, manipulador e invejoso. As vezes me vejo refletido nele, claro que, não sou mais assim, porém já fui e essa visão me incomoda.

Vejo-o tão novo e tão amargurado, não é difícil prever o seu futuro. Será de dor e sofrimento até que possa aprender que fazemos parte de algo maior, aprender que não vivemos sozinhos e que pode ser mais humilhante ainda depender dos outros para que tenhamos o mínimo para uma sobrevivência digna.

Sem máscaras. Meu amor por ele é ferido e morto a cada nascer do sol. Já o amei mais, hoje o amo muito menos.

Certa vez me perguntei se não seria eu o motivo principal de ele ter adquirido tal personalidade, isso me causou sentimento de culpa e auto-punição.

Seria ótimo se ele pudesse perceber quão maravilhoso e maléfico pode ser o mundo lá fora.

Eu sofro, pois vejo em seus o brilho do ódio, a energia da vingança e a visão distorcida de seu universo interior. Meu irmão e eu vivemos paralelamente, cada um em sua dimensão e percepção da realidade e sentimento. Sentimos basicamente as mesmas coisas, só que em intensidades diferentes.

Vivemos sob o mesmo teto, habitamos mundos diferentes, distintos e distantes.

Somos filhos da mesma mãe e pais diferentes.

Houve uma época que minha mãe me amava mais, hoje ele é o felizardo. Talvez esse fato impulsione, a arrogante e onipotente maneira com que ele se comporta.

Você já amou tanto uma pessoa que acabou se transformando em uma cópia dela? E isso fez com que lhe causa-se frustrações e seu amor tenha virado ódio?

Noite passada sonhei que caminhava por um campo de flores, ao meu lado meu irmão. Eu estava feliz, meu peito irradiava amor e compaixão, ele estava triste.

Ao acordar me senti infinitamente alegre, lembrei-me do sonho e das flores e um pensamento veio à minha mente.

“Lindas flores não é? São amarelas da cor da esperança e da transformação, portanto não esqueça, nunca perca a esperança.”

Lágrimas de Sangue!

Tudo parecia ir tão bem quando de repente me deparei com esse turbilhão de sentimentos estranhos, contraditórios e perturbadores. Estava tomado de uma felicidade imensa e uma sensação de realização pessoal quando percebi que nada parecia fazer sentido para mim. Olhei para o lado e me vi sozinho, mais uma vez, essa amargura, esse buraco maldito no peito e a pergunta que há anos martela meus pensamentos: O que falta para eu ser feliz?
Realmente não sei, estou triste, sozinho, vivendo uma vida que não é minha, vivendo um sonho que não me pertence, nada disso é meu.
Luto contra um sentimento ruim, um sentimento que sei, não deveria existir no meu coração, mas ele existe e tem se feito cada vez mais e mais presente nas horas de solidão que me encontro no decorrer do dia.
Olho ao meu redor e não reconheço a vida que levo, vejo as pessoas sorrindo, vejo felicidade na vida alheia e não vejo na minha e me pergunto: Quando será a minha vez? Quando? Será que já não sofri demais nessa vida? Será que fui tão desgraçado assim com as pessoas para merecer tais amarguras?
Vivo em constante conflito com o meu eu, com meus sentimentos e pensamentos. Não quero assumir, mas sinto inveja sim de outros. Pode parecer bobagem, mas isso me incomoda, não sei o que fazer para mudar isso. Perdi tanto tempo com coisas tão estranhas e às vezes ainda acho que continuo perdendo tempo. As vezes acho que a minha vida não passou de uma grande perda de tempo.
Claro que tive meus momentos de felicidade, mas será que eles eram reais? Ou será que não passavam de ilusão de um ser triste e solitário, descontente com tudo e com todos?
Creio que não devo encontrar tão cedo respostas para tais indagações, mas será que existe algum ser, energia ou espírito que possa me ajudar a diminuir essa sensação horrorosa que carrego dentro de mim?
Me sinto podre, sujo, feio, maltrapilho... a impressão que tenho é que somente os outros é que são felizes... Será?
Ou será que, assim como eu, todos também não estão vivendo uma vida de ilusões? Uma vida a qual ninguém sabe bem o que quer ou qual caminho seguir.
Devo acreditar em Deus ou no Demônio? Devo fazer o bem ou o mal?
Realmente não sei, há anos clamo ao Universo por respostas e por auxílio, algumas vezes até consegui alguma força, mas assim como meus raros momentos de alegria, essa força tem se esvaido cada vez mais, e com mais rapidez.
Não sei, não sei, não sei. Não sei se tudo que passei até hoje não foi em vão. Prefiro pensar que não, mas às vezes fica tão dificil.
O buraco aumenta a cada segundo, e o choro se torna cada vez mais sofrido, é como se cada lágrima que salta dos meus olhos me rasgassem por dentro causando feridas que não cicatrizam!
Pai, me ajuda!

04 janeiro 2010

Até que a morte os separe!

Três amigos inseparáveis, Cristina, mãe solteira; Ramon, gay de meia idade e Lilian, empresária independente. Todos eles muito risonhos.
Início da tarde de um domingo de sol com o céu repleto de nuvens. Lilian dirigia o carro com Cristina no banco do carona e Ramon no banco de trás, de ressaca e sonolento. Os amigos viviam as gargalhadas, risos sonoros e saborosos. Tudo era motivo de graça. Da vizinha neurótica à cunhada aleijada, às vezes eram sádicos e impiedosos, perdiam o amigo mas não a piada. O trio era famoso no círculo social, haviam poucos corajosos que os convidavam para alguma festa. As pessoas tinham medo de virar motivo de chacota, mesmo assim viravam.
Tinha também os que morriam de invejo do “trio gargalhada”, como eles eram chamados; os recalcados não se conformavam ao ver tamanha alegria. Não precisava muito para que caíssem na gargalhada, o esmalte na unha de Lilian poderia ser um bom motivo. O encontro de Ramon com um garoto de programa era diversão garantida por 3 horas, até mesmo para o próprio Ramon.
Naquele dia, os três riram tanto que até esqueceram para onde deveriam ir, oque acabou causando mais gargalhadas. Cristina comentava sobre o namorado da filha adotiva (o cara era um chato, além de ser “politicamente correto”, enfim, um porre) e ria.
Ramon pouco falava, só bocejava e ria impregnando o carro importado de Lilian com seu bafo de uísque.
Lilian ria, gesticulava, comentava enquanto tentava manter o carro em linha reta. Contava sobre mais uma cantada de seu chefe pseudo-mulherengo, na verdade ele era impotente. Assunto o qual era motivo de risadas incessantes causando dores na barriga e falta de ar.
Ramon comentava sobre a cobradora de ônibus que ele achava estar apaixonada por ele, na verdade ela era lésbica e queria dicas para ser mais feminina.
Poucas eram as vezes que conversavam sério, coisas intimas e sentimentos mais sinceros eles não compartilhavam entre si, não desejavam que seus segredos e medos virassem piada. Separados eram pessoas tristes, amarguradas e depressivas. Juntos eram a perfeita expressão da alegria.
Cristina tinha um riso fino, choroso. Ramon ria alto, espalhafatosamente. Lilian tinha o riso grosso, contido, encorpado. As três risadas combinadas produziam um som curioso, único.
Finalmente chegaram ao seu destino, a casa da mãe de Lilian. Ainda assim não se lembraram oque foram fazer lá e claro, riram ainda mais.
Desceram do carro rindo, entraram na casa rindo e só se controlaram quando perceberam o que estava havendo ali. Era o velório da mãe de Lilian que jazia no caixão com um flor imensa no cabelo. Ramon e Cristina desataram a rir desenfreados, Lilian desatou a chorar e os três nunca mais se falaram.

O olhar


Que olhar é esse que me enobrece?
Me entorpe, me adormece e me esquece?
Sinto falta desse olhar que acompanha com gana de aventura.
Me deixam em dúvida sobre quem fui, quem sou, ou, se sou.
Se sou, só serei sobras.
Se fui, só restaram sombra.
Nesta pele nua meus pelos apelam por apenas mais um toque,
um gracejo, um lampejo.
Boca.
Cavidade circundada em vermelhos lábios.
Língua que me inunda.
Lábios doces que me envenenam.
Vou de pele em pele na busca de uma que me apegue.
Tua presença me persegue,
me segue por mais que eu renegue.
Teu abraço me conforta,
teu corpo como uma porta,
que ao atravessar nada importa.
Sigo só como um velho catimbó,
carregando na garganta ainda aquele nó.
Atravesso templos, vila e cidadelas como um falso ateu.
Na obsessão daquilo que perdeu.
Seu juramento não faz mais sentido
já que seu velho jazia partido.
Você não me ouve?
Minha alma grita por socorro.
Mais uns dias e ela há de se calar.
Minha agonia tende a abrandar.
Veja só!
O tempo parou.
E eu, ainda sinto falta desse olhar,
do seu olhar.
Para mim é como uma alma em dois corpos.
Um preso ao outro,
outro preso a mais outro,
seguindo todos, aquele olhar.

Aquele dia

Corpos inertes no chão
Cheiro de morte no ar, olhos ardidos
Peito dilacerados em dor, choro seco
Um caminhar lento, tropego.
O dia ensolarado destoa com a desgraça.
Tudo perdi,
nada ganhei,
não sorri,
muito chorei.
A linha reta existe, mas não pra mim.
Curvas e desvios na rua reta, há móveis, corpos, roupas
e dor espalhados por toda a via.
Há um gosto amargo na boca,
há solidão entalada na garganta.
Para que sol, se meu dia é só escuridão?
Pele pálida,
sangue seco,
cenhos inexpressivos,
olhares distantes distorcidos.
Pés formigando,
tecido que incomoda,
vontade de desfalecer em ira.
Sucumbir à gravidade,
nos destroços permanecer...
assim... inertes como calçadas,
sempre deitadas à beira da rua.
Seja luz ou escuridão,
sempre lá estarão,
sendo sempre despercebidas
pelos próximos que por aqui passarão.
Dia após dia, noite após noite.
Toda tristeza acompanhada por lágrimas e solidão.
Sonhos e vidas perdidas nesta imensa vastidão.

Autor: Claudio Nanti