04 janeiro 2010

Aquele dia

Corpos inertes no chão
Cheiro de morte no ar, olhos ardidos
Peito dilacerados em dor, choro seco
Um caminhar lento, tropego.
O dia ensolarado destoa com a desgraça.
Tudo perdi,
nada ganhei,
não sorri,
muito chorei.
A linha reta existe, mas não pra mim.
Curvas e desvios na rua reta, há móveis, corpos, roupas
e dor espalhados por toda a via.
Há um gosto amargo na boca,
há solidão entalada na garganta.
Para que sol, se meu dia é só escuridão?
Pele pálida,
sangue seco,
cenhos inexpressivos,
olhares distantes distorcidos.
Pés formigando,
tecido que incomoda,
vontade de desfalecer em ira.
Sucumbir à gravidade,
nos destroços permanecer...
assim... inertes como calçadas,
sempre deitadas à beira da rua.
Seja luz ou escuridão,
sempre lá estarão,
sendo sempre despercebidas
pelos próximos que por aqui passarão.
Dia após dia, noite após noite.
Toda tristeza acompanhada por lágrimas e solidão.
Sonhos e vidas perdidas nesta imensa vastidão.

Autor: Claudio Nanti

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