30 agosto 2010

Irmãos

Olho para o lado e meu irmão eu vejo.

Ingênuo, maldoso, manipulador e invejoso. As vezes me vejo refletido nele, claro que, não sou mais assim, porém já fui e essa visão me incomoda.

Vejo-o tão novo e tão amargurado, não é difícil prever o seu futuro. Será de dor e sofrimento até que possa aprender que fazemos parte de algo maior, aprender que não vivemos sozinhos e que pode ser mais humilhante ainda depender dos outros para que tenhamos o mínimo para uma sobrevivência digna.

Sem máscaras. Meu amor por ele é ferido e morto a cada nascer do sol. Já o amei mais, hoje o amo muito menos.

Certa vez me perguntei se não seria eu o motivo principal de ele ter adquirido tal personalidade, isso me causou sentimento de culpa e auto-punição.

Seria ótimo se ele pudesse perceber quão maravilhoso e maléfico pode ser o mundo lá fora.

Eu sofro, pois vejo em seus o brilho do ódio, a energia da vingança e a visão distorcida de seu universo interior. Meu irmão e eu vivemos paralelamente, cada um em sua dimensão e percepção da realidade e sentimento. Sentimos basicamente as mesmas coisas, só que em intensidades diferentes.

Vivemos sob o mesmo teto, habitamos mundos diferentes, distintos e distantes.

Somos filhos da mesma mãe e pais diferentes.

Houve uma época que minha mãe me amava mais, hoje ele é o felizardo. Talvez esse fato impulsione, a arrogante e onipotente maneira com que ele se comporta.

Você já amou tanto uma pessoa que acabou se transformando em uma cópia dela? E isso fez com que lhe causa-se frustrações e seu amor tenha virado ódio?

Noite passada sonhei que caminhava por um campo de flores, ao meu lado meu irmão. Eu estava feliz, meu peito irradiava amor e compaixão, ele estava triste.

Ao acordar me senti infinitamente alegre, lembrei-me do sonho e das flores e um pensamento veio à minha mente.

“Lindas flores não é? São amarelas da cor da esperança e da transformação, portanto não esqueça, nunca perca a esperança.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário