30 agosto 2010

Perda [ diálogo solto ]

_ Bia.
_ Oque foi Felipe?
_ Cadê a mamãe?
_ Foi embora.
_ Por que?
_ Não sei.
_ Ela não gostava da gente?
_ Gostava sim.
_ O papai mandou ela embora?
_ Não.
_ Por que ele chora tanto?
_ É saudade dela...
_ Então, ele deveria ir atrás dela e trazê-la de volta.
_ Um dia ele vai atrás dela, mas não pode trazer a mamãe de volta.
_ Mas porque não, Bia?
_ O papai não sabe onde ela está.
_ E você, sabe?
_ Não, eu não sei.
_ Quem que sabe?
_ Ninguém sabe.
_ Só Deus sabe.
_ Então vamos perguntar pra ele.
_ Não adianta, Ele não responde.
_ Deus não gosta da gente.
_ Talvez não.
_ Mas oque eu fiz pra ele não gostar de mim?
_ Nada, Felipe, não precisa fazer algo para que Deus tome oque amamos.
_ Então Deus é mal?
_ Não sei te dizer nem que sim, nem que não.
_ Sempre achei que Ele fosse bom.
_ Às vezes é, outras, parece que não.
_ Como assim?
_ Os adultos dizem que são coisas da vida.
_ Que coisas são essas?
_ Não sei, ninguém vivo sabe.
_ Os mortos sabem?
_ Talvez.
_ Eu tenho medo dos mortos, Bia.
_ Você tem medo da mamãe?
_ Não, eu não.
_ Ela morreu, Felipe.
_ É diferente.
_ Oque é diferente?
_ A nossa mãe oras.
_ Não entendi.
_ A mamãe é uma morta especial, ela me ama.
_ Isso é verdade.
_ Papai também vai morrer?
_ Vai.
_ E você e eu?
_ Demora?
_ Pode ser que sim, pode ser não. Porquê?
_ Tô com saudade da mamãe.
_ Eu também Felipe, eu também.

Nenhum comentário:

Postar um comentário