26 dezembro 2010

Eu Quero é Viver


    Sinto repulsa pela sociedade e seus costumes. Homens de terno e gravata, mulheres de tailleur em tons pastéis e cores cítricas me causa náuseas. Seus filhinhos bonitinho, loirinhos, educadinhos, perfeitinhos... Que gente podre.
    Me deixem em paz com meu cigarro e minha bebida alcoólica aqui no meu quarto sujo, cheio de bitucas espalhadas pelo chão e copos quebrados. Eu sou assim, eu odeio a classe média.
    Pessoinhas felizinhas com suas opiniões pseudo-intelectualizadas. Adoro tragar depois de uma boa dose de vodka, pinga, uísque ou qualquer coisa com alto teor alcoólico seja lá qual for a hora do dia.
    Por que eu não posso falar de boca cheia? Eu quero fazer barulho quando tomar sopa, quero cuspir no chão, quero cutucar meu nariz, coçar minha cabeça, quero falar alto, quero chutar macumba.
    Danem-se os amantes do cinema mudo, eu gosto de expressão verbal, gosto de barulho. Gosto de sentar com as pernas abertas. E daí que a minha calcinha está aparecendo? E daí que meu sutião está velho? E daí que tem um furo na minha blusa?
    Quando e quem determinou o que é certo ou errado? Me deixem fumar meu cigarro, porra! Me dá mais uma dose. Quero beber até vomitar no seu tapete persa, depois suas empregadas limpam.
    Não quero saber de nada que seja moralizado, sou a favor do politicamente incorreto, do não ortodoxo. Do incômodo, do perturbador, do desconfortável. Sou mesmo do contra. E daí?
    Eu gosto mesmo é de xingar os mendigos, ofender as vagabundas, humilhar os riquinhos. Meu cigarro me conforta, adoro imaginar toda aquela fumaça tóxica entrando em meus pulmões e deteriorando o meu organismo, vai tudo para o buraco mesmo. Por que eu me importaria?
    Fiquem vocês com suas lesmas francesas, seus ovos de peixe podre, seus charutos fálicos, seu mundinho felizinho.
    Eu quero é viver, quero sentir a vida correndo na minha veia, quero me sentir viva. Quero feder, quero me machucar, cair, levantar, correr, andar, pular, subir e descer.
    Não quero meu cabelo liso, nem ondulado, nem cacheado, eu nem quero ter cabelo. Não preciso de cabelo para viver.
    Álias, para viver eu só preciso de vida, e para morrer também, então, o que eu quero é viver.

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