31 agosto 2010

Daygo & Takae

Na inocência da infância, Daygo e Takae tornaram-se grandes amigos. O fato de serem vizinhos facilitou a aproximação, seus pais viram a amizade dos meninos com alegria, eram filhos únicos e um fazia companhia ao outro. Brigavam pelos brinquedos às vezes, mas logo faziam as pazes.
Os anos passavam e a amizade deles só se fortalecia, viviam rindo e se abraçando, às vezes Takae beijava o rosto de Daygo que sorria desconcertado. Não foram poucas as ocasiões que tomaram banhos juntos, isso não causava estranheza em seus pais e para os meninos era o momento mais divertido do dia.

Em um desses banhos, enquanto jogavam água um no outro que Takae perguntou:
_ Daygo, você me ama?
_ Hein?!
Essa não era a resposta que Takae esperava.
_ Fala se você me ama.
_ Por quê? - questionou Daygo sem entender nada.
_ Porque eu te amo.
Com seus quase 13 anos, Daygo sentiu algo estranho, diferente, gostoso. Era sua primeira ereção. Takae percebeu e sem saber muito bem oque estava fazendo, levou a mão até a virilha do amigo e começou a mexer bem devagar. Sentiu que eram bom e viu que o seu ficou igual, ereto, fez então Daygo “brincar” também com ele.
Os dois descobriram que era gostoso e até bem prazeroso. Foram surpreendidos pela mãe de Takae batendo na porta. Gelaram na hora. Algo dizia que seus pais não aprovariam essa nova “brincadeira”.
Dia seguinte Daygo e Takae não conseguiam esquecer a nova descoberta, a brincadeira mais legal que já tiveram.
_ Takae? Porque está quieto hoje? - perguntou a mãe. - Você não vai brincar com o Daygo hoje?
_ Depois mãe, depois... - respondeu ele com olhar disperso.
_ Vocês brigaram? - perguntou a mãe preocupada.
_ Não, mãe. - Takae sabia que sua relação com Daygo seria diferente, sabia que seria especial.

Passaram meses, anos e as brincadeiras foram se tornando cada vez mais frequentes e mais intensas, ganhando assim outro nome: sexo.

Quando Takae soube que o amigo iria servir o exército ficou incomodado, angustiado. As sensações aumentaram ao saber que Daygo quis assim, ele queria servir a pátria. Essa afirmação soou como bobagem ao ar. Para Takae, Daygo queria mesmo é “brincar” com outros caras, e mesmo com a negativa do amigo, não conseguia acreditar. Nascia aí o ciúme.
Seis meses depois de entrar no exército, Daygo foi visitar Takae, este percebeu que o amigo estava diferente, não olhava mais nos olhos.
_ Oque aconteceu, Daygo?
_ “Brinquei com outro”.
Takae se perguntava oque e por que seu peito doía tanto? Por que seus olhos teimavam em lacrimejar? Por que sentia seu rosto queimar e a cabeça doer? Foi tomado por incessantes dúvidas.
_ Mas por que, Daygo?
_ Não sei. - silêncio em lágrimas. – Acordei um dia com vontade de brincar, mas você não estava por perto. - de novo silêncio em lágrimas.
_ Toda vez que eu estiver ausente, você vai brincar com outro?
_ Não sei, Takae, eu acho que não.
Takae pensou por um tempo.
_ Daygo, eu te perdôo. - disse Takae quase involuntariamente.
_ Takae, você me ama?
_ Por quê, Daygo?
_ Porque eu te amo.