17 maio 2011

A Carta


Olá amiga. Espero que esteja bem. Hoje foi mais um dia triste em minha vida, sinto falta da minha família e dos dias felizes que passei ao lado deles e do seu também, minha amiga. Ainda sou muito grata pelas coisas boas que você fez por mim, espero um dia poder retribuir.
Já estou com 27 anos, sou uma mulher agora e não sei o que foi feito da minha vida. Na verdade nunca tive muito controle sobre ela e agora que tenho, não sei bem o que fazer. Tenho uma vaga idéia mas certeza mesmo, eu não tenho.
Pensei em pedir sua ajuda mas não acho justo, além do mais tenho que aprender a me virar sozinha. Pelo menos todo o sofrimento que passei serviu para que eu me tornasse uma pessoa forte, um tanto fria e amargurada, mas ainda assim forte.
É surpreendente o modo como hoje encaro meu passado, tantos erros e tão poucos acertos. Felizmente não alimento culpas, há apenas uma que ainda conservo, talvez seja a única coisa que me impeça de ser feliz.
Tanto tempo passou e eu ainda não sei o que é ser feliz, nem o que significa felicidade. Acredito que esta seja uma busca constante do ser humano. O melhor seria viver um dia de cada vez. Será que existe alguém que consiga? Se tiver, por favor, me conte o segredo para conseguir essa proeza.
Quem sabe eu não descubra após a minha morte? Sim, pois eu acredito que deve haver algo além da nossa compreensão e visão possam alcançar. Pois é, vai entender a tal "Lei Divina"....
Olha só, lembrei da minha mãe, é estranho sentir falta de alguém que eu nunca conheci. Quando penso nela, surge a imagem de uma mulher maravilhosa, linda e sem rosto. Eu não sinto medo, então deve ser amor.
Ao final desta carta descobri o que fazer da minha vida, já tenho uma direção, vejo a luz no fim do túnel. Espero, amiga, que você aprove ou simplesmente apóie a minha decisão.
Parto hoje, vou em busca de um Deus, uma energia que eu mesma não conheço.
Me despeço com saudade e esperança no coração, fique bem minha grande amiga, VIDA!

Autor: Claudio Nanti
texto escrito em 12.Dez.2006

Um comentário:

  1. Forte demais o desfecho, remete a pensar nas entrelinhas do texto e ironicamente nas entrelinhas da vida. Parabéns

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