10 janeiro 2011

Orgulho de Uma Deusa

Na cerimônia quem a conheci tu estavas vestida com a soberania de uma deusa, onde a elegância e o luxo não devem faltar. Eu me vesti de paixão, com o corpo tomado pela insensatez do amo, meus olhos capturados por sua beleza incandescente.
Segui seus passas como um vampiro que busca o sangue para sua existência, tentei chegar o mais perto de você mas seu pedestal era alto demais e meu braço seguidor não a alcançou.
Vós que olhastes para mim, parece sorrir-me, não sei ao certo. A neblina ofuscou minha visão, contentei em apenas acreditar que era mesmo um sorriso teu.
Estique meu braço o máximo possível mas meus dedos não tocaram os seus que permaneceram em riste tentando alcançar os meus. Mesmo estando na ponta dos pés usando minha devoção como energia, eu não a alcancei.
Comecei a julgar-me culpado por não possuir força de vontade suficiente para vencer esse obstáculo, porém, respirei fundo e tentei alcança-la novamente e... nada.
Logo percebi que a soberba que ostentava em si era o que a mantinha em tão alto nível, a essa hora eu já sabia... tudo seria inútil.
Enclausurei-me em meu insignificante mundinho. Deitei no verde da esperança, lugar reservado para os homens de fé. Fui coberto pelo vermelho da dor, ainda assim, permaneci confiante que algo poderia mudar, até que vencido... adormecido.
O mundo deu tantas voltas quantas fogem à compreensão humana, e lá ela permaneceu. Sozinha durante mil vezes um bilhão de séculos até seu pedestal começar a descer, mas até que chegasse ao nível daqueles que um dia você considerou meros mortais, passou-se mais mil centenários, tamanho era seu orgulho.
Fui despertado pela textura de lábios castos ruborizando minha face pálida.
Receei abrir os olhos e descobrir que nada era real. Tomado por coragem que desconhecia possuir abri as janelas da alma e vi. Era ela, sorrindo com a esperança de um futuro inexplicavelmente terno e feliz.
Eu tentei, como eu tentei, juro que tentei, juro por tudo que existe no universo que eu tentei, evoquei o resquício de devoção que eu ainda acreditava que restavam em mim, busquei no fundo dos meus sentimentos... era tarde demais.
Novamente cerrei meus olhos e nunca, nunca mais os abri.